Em três tópicos
- O que foi feito: a ficha “Resumo executivo” dos cinco estudos de campanhas e os dez verbetes do glossário foram lidos campo a campo, em 08/09/2026: o que cada indicador responde, o que não responde e o que exigir de quem apresenta o número.
- O número principal: 12 indicadores por estudo — quatro principais e oito auxiliares —, com os mesmos rótulos e na mesma ordem nos cinco estudos publicados.
- A conclusão: comparabilidade não vem da quantidade de estudos. Vem de publicar sempre os mesmos campos, com a mesma definição pública e com o período declarado.
“Cada agência mede do seu jeito.” A frase chega como concessão pacífica, quase uma regra de convivência do mercado. Ela só é pacífica enquanto ninguém tenta comparar dois relatórios. Quando “lead” significa contato num texto e lead qualificado no seguinte, e “conversão” troca de denominador entre um estudo e outro, comparar não fica difícil: fica sem sentido.
Quem já recebeu um arquivo com o gráfico subindo e, meses depois, olhou para uma agenda vazia conhece o mecanismo. O relatório não precisa mentir: basta escolher, a cada entrega, quais campos mostrar. Campos que mudam de uma entrega para a outra não formam série histórica, formam uma sequência de boas notícias.
A saída é chata de propósito: declarar sempre os mesmos indicadores, com a mesma definição pública, dizendo de onde cada número veio e em que período. É o que a ficha “Resumo executivo” faz em todo estudo de campanha do acervo — 12 indicadores fixos, em dois grupos rotulados no site, quatro principais e oito auxiliares.
Por que este artigo existe
Um estudo isolado pode ser lido como propaganda, e vários estudos com campos diferentes só multiplicam afirmações. A pergunta que um acervo precisa responder não é “este caso deu certo”, e sim “este caso pode ser conferido e colocado ao lado de outro”.
É o que separa um acervo de um blog. Um blog publica o campo que ficou bom naquele mês; um acervo publica os mesmos indicadores em todo estudo, com a fórmula escrita em outra página, para que qualquer pessoa refaça a conta. Em 08/09/2026 o acervo tem cinco estudos de campanha, um planejamento e dois artigos, e o glossário tem dez verbetes, cada um com definição, fórmula e exemplo real. Quem lê sabe o que vai encontrar; quem publica sabe o que terá de declarar.
Comparar exige que os dois lados declarem a mesma coisa
A comparação tem três exigências. O mesmo campo: conversão em vendas só se compara com conversão em vendas. O mesmo denominador: percentual sem numerador e denominador não pode ser refeito por quem lê. E o período declarado, com data inicial e final: os cinco meses de 01/03/2026 a 29/07/2026 de um estudo e os pouco mais de sete meses de 01/01/2026 a 11/08/2026 de outro não descrevem a mesma operação. Um relatório sem denominador é opinião com gráfico.
É aqui que a redação de um texto pode desfazer o trabalho da ficha. Lead é a palavra mais escorregadia do vocabulário de mídia paga: dependendo de quem escreve, ela nomeia todo contato que chegou, só os que passaram pela triagem, ou só os que chegaram a agendar. Quando o corpo do texto usa uma acepção e a ficha registra outra, quem lê os dois lado a lado encontra dois números para a mesma etapa — e a comparação, que é o ponto de existir um acervo, se perde.
É por isso que a ficha vale mais do que o texto. Ela é o campo declarado, com nome fixo e definição no glossário; o texto explica, a ficha compromete. Quando os dois divergirem, é a ficha que deve ser lida — e é ela que a próxima publicação vai ter de preencher com a mesma definição de sempre.
Os quatro indicadores principais dizem se a conta fechou
Os valores abaixo são da ficha do estudo ROAS alto, conversão baixa, de uma clínica odontológica em Salvador, com dados de Google Ads, Meta Ads e CRM Tintim, de 01/03/2026 a 29/07/2026. Cada item repete os mesmos quatro rótulos, na mesma ordem.
- Faturamento — R$ 60.750,00. A conta. Soma das vendas rastreadas até um contato vindo da mídia, no CRM ou no controle comercial do cliente. Responde. Quanta receita foi atribuída à mídia no período. Não responde. Margem: é receita bruta, sem descontar o investimento publicitário, e o estudo não publica custo do serviço. Exija. A origem da receita e o período com começo e fim.
- ROAS — 10,3x. A conta. Faturamento atribuído dividido pelo investimento em mídia: R$ 60.750,00 ÷ R$ 5.917,04. Responde. Quanta receita acompanhou cada real de mídia. Não responde. Se a mídia causou a venda, porque é atribuição, nem se a receita veio de muitas vendas ou de poucas. Exija. Numerador e denominador visíveis, como no verbete de ROAS.
- Investimento em mídia — R$ 5.917,04. A conta. Verba veiculada nas plataformas no período. Responde. Quanto foi pago ao Google Ads e ao Meta Ads. Não responde. O custo da operação: honorários, produção e ferramentas ficam fora e não estão publicados. Exija. A abertura por canal. Meta Ads: R$ 4.876,28, ou 82,4% da verba, 805 leads, 20 agendamentos, cinco pacientes, R$ 55.750,00 de faturamento atribuído — 91,8% da receita — e ROAS de 11,4x. Google Ads: R$ 1.040,76 em campanha de pesquisa, 17 leads rastreados, um agendamento, um paciente, R$ 5.000,00 atribuídos e ROAS de 4,8x.
- Vendas — 7. A conta. Negócios fechados rastreados até um contato vindo da mídia. Responde. Quantas negociações chegaram ao fim. Não responde. Quantas pessoas distintas compraram: o corpo do mesmo estudo conta seis pacientes. Exija. O denominador declarado. Sete vendas na ficha e seis pacientes no corpo estão os dois publicados, e toda métrica derivada muda conforme o escolhido. Neste artigo vale o da ficha, que se repete nos cinco estudos.
Os oito indicadores auxiliares dizem onde a conta foi feita
- Investimento diário — R$ 39,19. A conta. Investimento em mídia dividido pelos dias de veiculação, de 01/03/2026 a 29/07/2026. Responde. O ritmo médio da verba. Não responde. Se a verba foi constante, por ser média. Exija. Os dias que estão no denominador.
- Contatos — 941. A conta. Pessoas únicas registradas no CRM no período. Responde. Quantas entraram na base: 941 leads únicos no CRM Tintim. Não responde. Quantas vieram da mídia paga. Os 941 são de todas as origens; 822 têm canal rastreado, sendo 805 no Meta Ads e 17 no Google Ads, e os 119 restantes não têm origem publicada. Exija. Quais origens entraram na conta.
- Leads qualificados — 123. A conta. Contatos com perfil para comprar o serviço anunciado, pelo critério registrado no CRM. Responde. Quanto do volume tinha aderência à oferta. Não responde. Se a régua foi aplicada de forma consistente: somente 23 dos 941 estavam classificados como desqualificados, e o próprio estudo levanta, no mesmo parágrafo, a hipótese de base sem tratamento ou sem atualização de status. Exija. A definição de qualificado escrita antes do número, como no verbete de taxa de qualificação.
- Conversão em vendas — 0,7%. A conta. Vendas divididas por contatos: 7 em 941. Responde. A fração do volume que virou negócio. Não responde. Em que etapa os demais pararam; isso está no corpo do estudo, não na ficha. Exija. Numerador e denominador na mesma frase, como pede o verbete de taxa de conversão em vendas.
- Custo por contato — R$ 6,29. A conta. Investimento dividido por contatos: R$ 5.917,04 ÷ 941. Responde. O preço de fazer o contato existir. Não responde. Se esse contato foi atendido. Exija. A etapa que está no denominador; o verbete de custo por lead pede comparar sempre a mesma.
- Custo por lead qualificado — R$ 48,11. A conta. Investimento dividido por leads qualificados: R$ 5.917,04 ÷ 123. Responde. O preço de um contato com perfil de compra. Não responde. Se ele virou agenda. Exija. Os dois custos lado a lado: entre R$ 6,29 e R$ 48,11 está o efeito da triagem.
- Custo por venda — R$ 845,29. A conta. Investimento dividido por vendas: R$ 5.917,04 ÷ 7. Responde. Quanto de mídia cada fechamento consumiu. Não responde. O custo de aquisição com equipe, comissão e ferramentas, que não está publicado. Exija. O denominador, de novo: pela contagem de seis pacientes do corpo, R$ 5.917,04 ÷ 6 dá R$ 986,17 por paciente.
- Ticket médio — R$ 8.678,57. A conta. Faturamento atribuído dividido por vendas: R$ 60.750,00 ÷ 7. Responde. O valor médio das vendas atribuídas. Não responde. O preço praticado pela clínica, que não está publicado; as cinco maiores conversões ficaram entre R$ 7 mil e R$ 15 mil. Exija. A origem do valor: o verbete de ticket médio registra que em alguns estudos ele vem do relatório do cliente.
O glossário tem dez verbetes publicados, conferidos em 08/09/2026. Três deles ficam fora da ficha: CPM e CTR medem entrega da plataforma, e a ficha começa no contato; taxa de qualificação é taxa, e a ficha publica o número absoluto, Leads qualificados.
Um ROAS só significa alguma coisa ao lado da conversão
Os doze campos existem porque nenhum decide sozinho. Entre os cinco estudos de campanha publicados até 08/09/2026, o maior ROAS e a menor conversão em vendas estão no mesmo estudo. Dois estudos de odontologia mostram o contraste.
- ROAS maior sobre base estreita: em ROAS alto, conversão baixa, de 01/03/2026 a 29/07/2026, ROAS de 10,3x — R$ 60.750,00 ÷ R$ 5.917,04 — com 0,7% de conversão em vendas, ou 7 vendas em 941 contatos, e ticket médio de R$ 8.678,57.
- ROAS menor sobre processo que converte de forma repetida: em O Gargalo do Primeiro Contato em Grandes Clínicas, de uma clínica de implantes e reabilitação oral em Salvador (BA), de 01/01/2026 a 11/08/2026, ROAS de 4,3x — R$ 253.740,00 ÷ R$ 58.793,22, que a Metodologia do estudo escreve como 4,32x e chama de faturamento total registrado — com 8,6% de conversão em vendas, ou 201 vendas em 2.329 contatos, e ticket médio de R$ 5.398,72.
Os dois contam histórias opostas sobre a mesma palavra. O primeiro é receita concentrada: as cinco maiores conversões ficaram entre R$ 7 mil e R$ 15 mil, e o próprio estudo registra que ROAS alto com conversão baixa é sinal de dependência de poucas vendas. O segundo é receita distribuída por 201 fechamentos em 2.329 contatos. O verbete de taxa de conversão em vendas resume em uma frase: mesmo nicho, atendimento diferente. Nada disso apareceria se cada estudo publicasse apenas o indicador que o favorece.
A ficha sozinha não é a publicação inteira
O estudo “ROAS alto, conversão baixa: o que 941 leads revelam sobre o primeiro contato | Odontologia”, de 29/08/2026, se contradiz de propósito: o ROAS de 10,3x e a conversão de 0,7% estão na mesma ficha. Sem a obrigação de declarar os doze, bastava publicar o 10,3x.
E o corpo do estudo mostra o que os doze campos não cobrem. No funil cumulativo, dos 941 leads, 123 chegaram ao estágio de MQL — sigla de marketing qualified lead, o contato que a triagem considerou apto a seguir —, 27 a agendamento, 13 a negociação e seis se tornaram pacientes. Em outra leitura, a do retrato estático do CRM, 789 contatos, ou 83,8% da base, permaneciam na primeira etapa.
Há ainda a velocidade de atendimento: 21,1% dos leads receberam a primeira resposta em até cinco minutos, 53,9% esperaram mais de 30 minutos e 17,9% ficaram sem resposta registrada no CRM. Nada disso está na ficha. Por isso ela sozinha nunca é a publicação inteira.
Nota metodológica
As definições e fórmulas estão no glossário. Os números vêm da ficha “Resumo executivo” e do corpo de estudos publicados, com plataforma de origem e período declarados em cada um. As contagens de 12 indicadores, 10 verbetes e cinco estudos de campanha foram lidas no site em 08/09/2026, não de memória.
Não há ideia de terceiro neste texto: os doze rótulos, as fórmulas e os estudos citados são publicações do próprio Métrica Lab, e podem ser contestados campo a campo.
O que este texto não prova: que doze campos sejam o conjunto certo para qualquer operação, que os indicadores expliquem por que um número aconteceu, ou que o ROAS de 10,3x se repita. Os estudos sustentam uma análise de atribuição, não uma afirmação de causalidade isolada da mídia. Nenhum número aqui é benchmark: são instruções de medição, não promessas de resultado.
Quem publica aqui declara os mesmos campos
Quem publicar um estudo de campanha no Métrica Lab preenche a mesma ficha: os quatro indicadores principais, os oito auxiliares, o período com data inicial e final, a origem de cada número, a seção de Limitações, as Referências e os Anexos. Cliente não é nomeado sem autorização registrada — a identificação é nicho, porte e cidade, como em “uma clínica odontológica em Salvador”. Os números permanecem inteiros; só o nome sai.
Conclusão
Dois estudos podem ser comparados quando declaram os mesmos 12 campos, com as definições do glossário e o período aberto. Quando não declaram, sobra a palavra de quem escreveu. A checagem é curta, e vale para qualquer relatório antes de mexer na campanha: o texto traz contatos, leads qualificados e vendas em números absolutos; traz o período com data inicial e final; nomeia a plataforma de origem de cada número; declara a fórmula de cada métrica derivada; e declara o que os dados não provam.
Se essas cinco respostas existirem dos dois lados, a comparação é possível. Foi isso que permitiu a um caso publicar 10,3x e 0,7% na mesma ficha, sem escolher entre os dois. Os cinco estudos estão em metricalab.com.br/category/campanhas/, com a ficha aberta em cada um, e as definições no glossário. Para publicar sob a mesma regra: metricalab.com.br/criar-perfil/.
Referências
- MÉTRICA LAB. ROAS alto, conversão baixa: o que 941 leads revelam sobre o primeiro contato | Odontologia. Publicado em 29/08/2026. Ficha “Resumo executivo”, Metodologia, Estratégia, Resultados e Limitações; Google Ads, Meta Ads e CRM Tintim, de 01/03/2026 a 29/07/2026.
- MÉTRICA LAB. O Gargalo do Primeiro Contato em Grandes Clínicas, um retrato sobre a maior dor do Tráfego Pago | Odontologia. Ficha “Resumo executivo” e Metodologia; Google Ads, Meta Ads e CRM, de 01/01/2026 a 11/08/2026.
- MÉTRICA LAB. Um retrato das campanhas Google Ads que fazem uma clínica superar a média do mercado | Psiquiatria. Ficha “Resumo executivo” e Metodologia; Google Ads e CRM Tintim, de 20/04/2026 a 13/08/2026.
- MÉTRICA LAB. Glossário, consulta em 08/09/2026: ROAS, custo por lead, custo por venda, taxa de conversão em vendas, taxa de qualificação, ticket médio, investimento diário, faturamento atribuído, CPM e CTR — dez verbetes.
- Contagem do acervo e dos campos da ficha: os cinco estudos de /category/campanhas/ e a API pública do site, leitura de 08/09/2026.
Conheça o autor do artigo
Marcel Novaes
Mercadólogo formado pela UniAmérica | Analista de mídia | Gestor de tráfego. Atuação com Google Ads, Meta Ads e Tiktok Ads para empresas de diversos segmentos, possuo mais profundidade em saúde, imobiliário, negócios digitais e negócios locais.
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